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Livro de Poemas

sábado, 2 de janeiro de 2016

Nasceu!

Enfim é chegada a hora
A tão esperada hora
A hora da graça
A boa hora
A hora da luz.
Acabara de nascer _ o filho do tempo _, é lindo.
Faltou-lhe fôlego, brevemente,
Mas agora está tudo bem.
Inspirou e respirou
Suspirou fundo
Chorou.
E ao abrir os olhos sorriu pasmo.
Ai, houve uma explosão de alegria.

As luzes cegam no primeiro instante, isso é natural, é assim para com todos até que...
Até que se envelheça e se aposente do ofício da contabilidade.
No entanto pernecerá para a eternidade seus feitos e os efeitos, somando-se aos demais. Portanto, permanecerá sendo contabilizado.

O destino é o que é, e quando eterno é eterno e inalterável.
Mas com o passar do tempo cresce algo como dedos e eles se alongam _ é para acariciar e seduzir as almas _ para assediá-las _ e as pega por trás a cada momento de glória ou vacilo.

Esses longos dedos nascem de um único instante chamado segundo.
E esse instante se multiplica em segundos, e se desdobra em horas, e se faz dia.
Mas este também se multiplica, diversifica de tanto se repeitir, contabilizando em conjuntos de sete; e de sete em sete se faz conjuntos diversos que tornam mêses e, no primeiro aniversário, morre.
Morre para atividades vulgares, entretanto, continua vivo, útil, necessário, essencial para a renovação.
Mas, na verdade, tudo nåo passa de um. Um instante de segundo.
A eterna existência está atrelada ao primeiro instante.
E toda a natureza é acondicionada à inspiração do instante.
Louco, né?!

O tempo não tem forma, não tem idade, não envelhece, não tem movimento...
O tempo não existe. O que existe é o instante, aquele momento. O instante de luz que se repete.
Por isso, meus caros, respire. Este instante é único e é o teu momento. Viva!

Pode ser que não seja este momento de glória nem de paz, mas é um instante de luz, porque a vida é o mágico instante, a luz que não se apaga.

Feliz Ano Novo!

domingo, 16 de agosto de 2015

Eu quero acreditar

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Dizem que depois da tempestade vem a calmaria;
Eu quero acreditar, mas a vida é de uma turbulência que parece nunca ter fim.

Dizem que o céu é de verdade, Deus é justo e o paraíso existe;
Eu quero acreditar, mas os que sempre detêm o poder são obreiros satânicos, e a injustiça tem sido soberana, e o acesso ao paraíso me parece cada dia mais improvável e distante.

Será que no final seremos felizes? Quando?
Depois do nada que somos o mais seremos?
Podemos ser nada sem consciência do fomos e do que somos?
Depois de tornar-me pó o que me importa a vida?
Eu já a vivi, bem ou mal, sou passado.

Somos todos heróis medíocres;
_ Heróis porque vivemos _, sobrevivemos.
Á custa do que sobrevivemos, ainda?
Títulos, estrelas, licenças...
Doutores da morte.

Após tantas e tantas tragédias a vida ainda é vida, continua.
Insistentemente a vida continua; como que por vingança d’algum deus, continua.

Ah, você tem propósito!
Existe algo melhor do que o propósito de viver?
Então por que não conseguimos compartilhar o respeito desse direito de todos?
Ah, somos humanos?!
Eu quero acreditar.

Mas eu simplesmente não consigo!





domingo, 9 de agosto de 2015

Steve Vai




sábado, 1 de agosto de 2015

É Preciso Também não Ter Filosofia Nenhuma


Não basta abrir a janela 
Para ver os campos e o rio. 
Não é bastante não ser cego 
Para ver as árvores e as flores. 
É preciso também não ter filosofia nenhuma. 
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas. 
Há só cada um de nós, como uma cave. 
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora; 
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, 
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Dou-lhes o que querem


Cobram-me otimismo, eu lhes darei otimismo,
Falso otimismo.
Cobram-me mais alegria, eu lhes darei risos.
Até amor posso lhes dar,
Amor verdadeiro,
Porque amor falso não sobrevive por muito tempo.

Mas no seu egoísmo o mundo nem repara
Não lhes importa o certo e o errado, falso ou verdadeiro,
Se a joia é rara;
O que lhes interessa é receber o agrado
O qual acha que mereça
E corarem-se de glória dos pés à cabeça.

E se o mundo o agride com tanta demência
E se o falso supera a verdade com tanta eloquência
E se a dor apaga o riso
E se o mal supera o bem
E se o ódio invade o pensamento
E se o amor é sufocado, não importa;
O mundo já tem o que queria:
O falso brilho da joia imprópria.

Por que não posso ser triste?
Por que não devo estar insatisfeito?
Por que tenho de seguir protocolos, fingindo que está tudo bem e sou perfeito?
Por que você não pode ser você e eu não posso ser eu com nossos dons e nossos defeitos?

Por isso gosto do conforto do asilo da minha caverna
Só lá posso ser autêntico.
Nesse exílio escuro que tenta iluminar-se com a própria luz
É aonde encontro sentido para a força que me conduz.
Pra onde vou eu não sei, mas aqui não é o meu lugar.
Uma alma precisa ter direito a autenticidade,
Precisa do direito de ir e vir
E sonhar.
Quem sabe um dia...

Enquanto isso eu lhes dou o que querem:
Risos.


quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ressaca de alegria


Apelidaram-me de estraga prazer. 
Já faz alguns anos, como reagi todo nervosinho, o apelido pegou. O motivo?
Por um longo período me fiz essa pergunta e, procurando respostas, cheguei à conclusão de que eles estão certos e eu, contudo, fiquei ainda mais chato. É que tenho a desagradável mania de falar a verdade e não ceder a opiniões se realmente os argumentos não forem relevantes e convincentes. É, defendo meu ponto de vista até o fim, às vezes, ou melhor, sempre pago caro por isso.
Dessa vez foi o bendito comentário sobre a alegria das festas de fim de ano. Que infeliz opinião a minha! Sabe, hora errada, lugar errado e com pessoas erradas; pessoas que se ofendem e são do contra só para se colocarem em destaque? Porém dizem que eu é que sou do contra. Compram, com o menosprezo dos outros, um lugar na primeira fila no espetáculo da amizade e pagam ou oferecem como alegria aos seus ídolos os defeitos dos outros, com piadas e puxa-saquismo. Bem aquele tipo: o chefe abre a boca e ele já ri. Nos ambientes corporativos isso até que é compreensivo. Mas nas festas de confraternização ou entre família?! Ah, dá um tempo, né!?
Ah, sim! Claro, eu conto; eu conto. O que aconteceu dessa vez foi o seguinte: Entre risos e abraços e beijos, a galera, a meu ver, disputavam quem era o mais querido. Nessa disputa pelo primeiro lugar contavam vantagem, uma piada, ou contavam um feito muito interessante _ extravagante, eu diria. Todos eram super-heróis, demais. Coitado de mim, eu sou um humilde observador, me sentindo perdido por saber que comparado a eles, sou nada especial. Mas alguém me intima, medindo-me rapidinho dos pés à cabeça, com certo desprezo, e me põem na roda.
_ Fala aí, meu, o que você acha?
_ Eu diria que podemos classificar certas datas como sendo o dia da falsa amizade. Todo mundo se abraça, se beija, diz o quanto admira e até que ama, mas não sustentam essa verdade nem por 24 horas. Aliás, no dia seguinte acordam com o espírito de ressaca. O coração dói, o arrependimento sangra o coração, e já evitam olhar nos olhos dos “amigos” de ontem. E pensam, com um nó na garganta: “Caramba! Eu abracei fulano; aquele idiota! Não suporto ele.”
É, eu sou mesmo um chato, um estraga prazer. Sou ou não sou? Mas, tudo bem; aprendo a conviver com isso.
E no Brasil, temos muitas datas que nos provoca ressaca de alegria: Confraternização, Natal, réveillon, carnaval...
Ah, só mais uma coisa, eu tive um amor e com ele eu esperava um fim de ano diferente. Não rolou. Será que por isso fiquei assim?
Mas e você, tá com essa cara por quê?

            Bom, de coração, Feliz Natal!

domingo, 7 de dezembro de 2014

Só para os íntimos





Um amor desfeito é uma esponja úmida:
Apaga a esperança
Descolore o mundo
Esconde o sol
Deixa tímido o sorriso.
Um amor desfeito apaga a vida.

Mas fica no ar  uma poeira que incomoda, como resíduos de giz, partículas vagando em vão, tremeluzindo, tentando se reconstituir para cumprir o compromisso de imprimir uma história.

As partículas que flutuam ao redor de mim, inflamando, irritando meus sentidos, nublando, anuviando-me os olhos, se juntas, têm o brilho mágico para recompor o colorido original da vida.

Mas não quero, não devo, não posso lamentar o ontem, o hoje, o que passou; esse instante, o que virá, e depois...

O agora é transição;
E nada melhor do que os fatos da vida em transição. Nada mais empolgante e atraente do que o movimento. O movimento é o que há de mais significativo nessa divina existência. Mover-se!...

Nada mais digno do que saber-se vivo _ mesmo que essa consciência se nos desperta de um amor indigno. Por isso, eu quero um amor verdadeiro.

Só mesmo o amor verdadeiro é capaz de levar o homem nas nuvens, entre as estrelas, no cimo do destino, na misteriosa escalada da vida.

Quero um amor verdadeiro.
Cansei de ser um mero doador, só eu sempre, a oferecer amor verdadeiro.
Todas as vezes que amei, ofereci amor verdadeiro;
Agora, quero um amor verdadeiro.

Existe sim, amor verdadeiro;
Todas as vezes que amei, foi amor verdadeiro.
Como será que é o amor verdadeiro?

Eu quero muito sentir o que sente aquele que recebe amor verdadeiro.
Às vezes penso, como seria bom um amor recíproco, de igual proporção, grandeza equivalente; um amor linkado direto, para download e upload, direto ao coração. Um amor assim, cliente/provedor, compartilhando intimidades. Um amor de salvação. Um assim é o que ofereço e espero na minha doce ilusão.

Isso exige responsabilidade, cuidado, porque o mundo é muito estranho.
O amor verdadeiro é algo meio complicado. É exigente. É uma mistura de não e sim na plenitude da sua liberdade de ser como é. Mas essa perfeição é nada ser além da simplicidade da sua perfeição de apenas existir. Exige exclusividade. E nessa prioridade exige-se que o seja proclamado e exaltado. Contudo exige sigilo. Que o seja compartilhado só para os íntimos. Por quê?

Ora! Por que! Os pastores são hostis e o amor é um cordeiro. O mundo adora sacrifícios. O amor é sempre ingênuo e puro _ uma bela oferenda. E eu lhes digo: Não há no mundo pessoa mais íntegra do que aquela capaz de oferecer amor verdadeiro. Ah!...



Especial