Livro de Poemas
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016
sábado, 9 de janeiro de 2016
No oito às 14:00_retrato
À hora do almoço cessa a aflição.
Esqueço planilhas, segurança e compromissos.
É tempo de descanso.
A vaidade alimenta o orgulho e o contentamento oculta o nervosismo;
assim se equilibra o homem vivido.
Às vezes as emoções se revezam.
O homem que anda tem os pés no chão, mas sua alma flutua.
Todos os olhares perseguem a beleza, ele atravessa, passo a passo, lado
a lado com o encanto.
O que posso eu querer mais além de salada, arroz e feijão?
A inveja passa voando, da meia volta e paira sobre mim, mas é ruim de
mira.
Outro pássaro gigante me assusta, mas não é ave de rapina.
Predadores rondam, miram, espiam.
O brilho da estrela ofusca a juventude e o sol escaldante desafia-lhes
a fantasias.
_ Atravessemos a rua.
_ Vamos.
A mesa é farta.
Tem molho pra todo gosto
E legume combina com tudo.
Preferimos peixe, purê e maionese.
Dispensemos sobremesa.
Quisera ser cavalheiro, segurar a cadeira, provar e aprovar um bom
vinho... quem sabe um dia.
Flores sempre hão de existir, um beijo na mão, uma música, uma
poesia...
Quem sabe um dia.
“É duro não saber em qual ponto a gente se encontra no tempo.”, pensei,
mirando aqueles olhos.
Metáforas
“Morrer de sede em frente ao mar...” _ Djavan.
“Será que é feliz? Qual será o seu maior sonho?”
Se eu pudesse ler sua mente, penetrar seu coração!...
Cotovelos na mesa
Inquieta
O olhar busca uma lembrança.
E disfarço minha desilusão e sufoco meu desespero.
Então a interroguei, passado e futuro.
Mas o que eu queria mesmo era o presente.
O presente e seu olhar
O presente e seus lábios, seu abraço, pra sempre tão boa companhia.
Cotovelos na mesa
O olhar busca uma lembrança.
Este é o momento, pensei, eu te amo!
Antes das 15:00:
A conta
Chiclete
Afazeres.
No fim do dia agradecimentos.
E por ser sexta já sinto
saudades.sábado, 2 de janeiro de 2016
Nasceu!
Enfim é chegada a hora
A tão esperada hora
A hora da graça
A boa hora
A hora da luz.
Acabara de nascer _ o filho do tempo _, é lindo.
A hora da graça
A boa hora
A hora da luz.
Acabara de nascer _ o filho do tempo _, é lindo.
Faltou-lhe fôlego, brevemente,
Mas agora está tudo bem.
Inspirou e respirou
Suspirou fundo
Chorou.
E ao abrir os olhos sorriu pasmo.
Ai, houve uma explosão de alegria.
Mas agora está tudo bem.
Inspirou e respirou
Suspirou fundo
Chorou.
E ao abrir os olhos sorriu pasmo.
Ai, houve uma explosão de alegria.
As luzes cegam no primeiro instante, isso é natural, é assim para com todos até que...
Até que se envelheça e se aposente do ofício da contabilidade.
No entanto pernecerá para a eternidade seus feitos e os efeitos, somando-se aos demais. Portanto, permanecerá sendo contabilizado.
Até que se envelheça e se aposente do ofício da contabilidade.
No entanto pernecerá para a eternidade seus feitos e os efeitos, somando-se aos demais. Portanto, permanecerá sendo contabilizado.
O destino é o que é, e quando eterno é eterno e inalterável.
Mas com o passar do tempo cresce algo como dedos e eles se alongam _ é para acariciar e seduzir as almas _ para assediá-las _ e as pega por trás a cada momento de glória ou vacilo.
Mas com o passar do tempo cresce algo como dedos e eles se alongam _ é para acariciar e seduzir as almas _ para assediá-las _ e as pega por trás a cada momento de glória ou vacilo.
Esses longos dedos nascem de um único instante chamado segundo.
E esse instante se multiplica em segundos, e se desdobra em horas, e se faz dia.
Mas este também se multiplica, diversifica de tanto se repeitir, contabilizando em conjuntos de sete; e de sete em sete se faz conjuntos diversos que tornam mêses e, no primeiro aniversário, morre.
Morre para atividades vulgares, entretanto, continua vivo, útil, necessário, essencial para a renovação.
Mas, na verdade, tudo nåo passa de um. Um instante de segundo.
A eterna existência está atrelada ao primeiro instante.
E toda a natureza é acondicionada à inspiração do instante.
Louco, né?!
E esse instante se multiplica em segundos, e se desdobra em horas, e se faz dia.
Mas este também se multiplica, diversifica de tanto se repeitir, contabilizando em conjuntos de sete; e de sete em sete se faz conjuntos diversos que tornam mêses e, no primeiro aniversário, morre.
Morre para atividades vulgares, entretanto, continua vivo, útil, necessário, essencial para a renovação.
Mas, na verdade, tudo nåo passa de um. Um instante de segundo.
A eterna existência está atrelada ao primeiro instante.
E toda a natureza é acondicionada à inspiração do instante.
Louco, né?!
O tempo não tem forma, não tem idade, não envelhece, não tem movimento...
O tempo não existe. O que existe é o instante, aquele momento. O instante de luz que se repete.
Por isso, meus caros, respire. Este instante é único e é o teu momento. Viva!
O tempo não existe. O que existe é o instante, aquele momento. O instante de luz que se repete.
Por isso, meus caros, respire. Este instante é único e é o teu momento. Viva!
Pode ser que não seja este momento de glória nem de paz, mas é um instante de luz, porque a vida é o mágico instante, a luz que não se apaga.
Feliz Ano Novo!
domingo, 16 de agosto de 2015
Eu quero acreditar
Dizem que depois da
tempestade vem a calmaria;
Eu quero acreditar,
mas a vida é de uma turbulência que parece nunca ter fim.
Dizem que o céu é de
verdade, Deus é justo e o paraíso existe;
Eu quero acreditar,
mas os que sempre detêm o poder são obreiros satânicos, e a injustiça tem sido
soberana, e o acesso ao paraíso me parece cada dia mais improvável e distante.
Será que no final
seremos felizes? Quando?
Depois do nada que
somos o mais seremos?
Podemos ser nada sem
consciência do fomos e do que somos?
Depois de tornar-me
pó o que me importa a vida?
Eu já a vivi, bem ou
mal, sou passado.
Somos todos heróis
medíocres;
_ Heróis porque
vivemos _, sobrevivemos.
Á custa do que
sobrevivemos, ainda?
Títulos, estrelas, licenças...
Doutores da morte.
Após tantas e tantas
tragédias a vida ainda é vida, continua.
Insistentemente a
vida continua; como que por vingança d’algum deus, continua.
Ah, você tem
propósito!
Existe algo melhor
do que o propósito de viver?
Então por que não
conseguimos compartilhar o respeito desse direito de todos?
Ah, somos humanos?!
Eu quero acreditar.
Mas eu simplesmente não consigo!
sábado, 1 de agosto de 2015
É Preciso Também não Ter Filosofia Nenhuma
Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio.
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
domingo, 4 de janeiro de 2015
Dou-lhes o que querem
Cobram-me otimismo, eu lhes darei otimismo,
Falso otimismo.
Cobram-me mais alegria, eu lhes darei risos.
Até amor posso lhes dar,
Amor verdadeiro,
Porque amor falso não sobrevive por muito tempo.
Mas no seu egoísmo o mundo nem repara
Não lhes importa o certo e o errado, falso ou verdadeiro,
Se a joia é rara;
O que lhes interessa é receber o agrado
O qual acha que mereça
E corarem-se de glória dos pés à cabeça.
E se o mundo o agride com tanta demência
E se o falso supera a verdade com tanta eloquência
E se a dor apaga o riso
E se o mal supera o bem
E se o ódio invade o pensamento
E se o amor é sufocado, não importa;
O mundo já tem o que queria:
O falso brilho da joia imprópria.
Por que não posso ser triste?
Por que não devo estar insatisfeito?
Por que tenho de seguir protocolos, fingindo que está tudo bem e sou
perfeito?
Por que você não pode ser você e eu não posso ser eu com nossos dons e
nossos defeitos?
Por isso gosto do conforto do asilo da minha caverna
Só lá posso ser autêntico.
Nesse exílio escuro que tenta iluminar-se com a própria luz
É aonde encontro sentido para a força que me conduz.
Pra onde vou eu não sei, mas aqui não é o meu lugar.
Uma alma precisa ter direito a autenticidade,
Precisa do direito de ir e vir
E sonhar.
Quem sabe um dia...
Enquanto isso eu lhes dou o que querem:
Risos.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Só para os íntimos
Um amor desfeito é uma esponja úmida:
Apaga a esperança
Descolore o mundo
Esconde o sol
Deixa tímido o sorriso.
Um amor desfeito apaga a vida.
Mas fica no ar uma poeira que incomoda, como resíduos de giz, partículas vagando em vão, tremeluzindo, tentando se reconstituir para cumprir o compromisso de imprimir uma história.
As partículas que flutuam ao redor de mim, inflamando, irritando meus sentidos, nublando, anuviando-me os olhos, se juntas, têm o brilho mágico para recompor o colorido original da vida.
Mas não quero, não devo, não posso lamentar o ontem, o hoje, o que passou; esse instante, o que virá, e depois...
O agora é transição;
E nada melhor do que os fatos da vida em transição. Nada mais empolgante e atraente do que o movimento. O movimento é o que há de mais significativo nessa divina existência. Mover-se!...
Nada mais digno do que saber-se vivo _ mesmo que essa consciência se nos desperta de um amor indigno. Por isso, eu quero um amor verdadeiro.
Só mesmo o amor verdadeiro é capaz de levar o homem nas nuvens, entre as estrelas, no cimo do destino, na misteriosa escalada da vida.
Quero um amor verdadeiro.
Cansei de ser um mero doador, só eu sempre, a oferecer amor verdadeiro.
Todas as vezes que amei, ofereci amor verdadeiro;
Agora, quero um amor verdadeiro.
Existe sim, amor verdadeiro;
Todas as vezes que amei, foi amor verdadeiro.
Como será que é o amor verdadeiro?
Eu quero muito sentir o que sente aquele que recebe amor verdadeiro.
Às vezes penso, como seria bom um amor recíproco, de igual proporção, grandeza equivalente; um amor linkado direto, para download e upload, direto ao coração. Um amor assim, cliente/provedor, compartilhando intimidades. Um amor de salvação. Um assim é o que ofereço e espero na minha doce ilusão.
Isso exige responsabilidade, cuidado, porque o mundo é muito estranho.
O amor verdadeiro é algo meio complicado. É exigente. É uma mistura de não e sim na plenitude da sua liberdade de ser como é. Mas essa perfeição é nada ser além da simplicidade da sua perfeição de apenas existir. Exige exclusividade. E nessa prioridade exige-se que o seja proclamado e exaltado. Contudo exige sigilo. Que o seja compartilhado só para os íntimos. Por quê?
Ora! Por que! Os pastores são hostis e o amor é um cordeiro. O mundo adora sacrifícios. O amor é sempre ingênuo e puro _ uma bela oferenda. E eu lhes digo: Não há no mundo pessoa mais íntegra do que aquela capaz de oferecer amor verdadeiro. Ah!...
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Janela
Nenhuma
borboleta, azul ou branca, diante da janela.
Nenhuma
rolinha no terreiro
Nenhuma
fada, nenhum duende no quintal;
Nenhum quintal.Até os monstros desapareceram.
As
sombras nas paredes são apenas sombras
O
chão não mais se abre como uma bocarra gigante debaixo dos pés, querendo
engolir o mundo-menino à noite;
No
entanto, vivo em queda livre num breu crescente e infinito.
Às
vezes quero chorar...
Na
verdade, às vezes choro.
Mas
o pranto não são lágrimas nem pérolas.
Ora!
O pranto deve ser algo que valha um tesouro ou um mistério.
O pranto deve ser uma transição do nada para uma esperança.
O pranto deve ser uma transição do nada para uma esperança.
_
Eis aí o caminho do império.
Choro.
Ah, choro!
Mas
choro apenas para lubrificar os olhos, já que o mundo,
_
o mundo iluminado, o mundo do homem _,
O
mundo é cegante, reluzente, e a vida...
A
vida é cega e usa óculos escuros.
Nenhuma
borboleta diante da janela
Nenhuma
janela, nenhum quintal;
Mas
há um pássaro que canta na gaiola
E
um horizonte, distante, para o imaginário.
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