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domingo, 4 de janeiro de 2015

Dou-lhes o que querem


Cobram-me otimismo, eu lhes darei otimismo,
Falso otimismo.
Cobram-me mais alegria, eu lhes darei risos.
Até amor posso lhes dar,
Amor verdadeiro,
Porque amor falso não sobrevive por muito tempo.

Mas no seu egoísmo o mundo nem repara
Não lhes importa o certo e o errado, falso ou verdadeiro,
Se a joia é rara;
O que lhes interessa é receber o agrado
O qual acha que mereça
E corarem-se de glória dos pés à cabeça.

E se o mundo o agride com tanta demência
E se o falso supera a verdade com tanta eloquência
E se a dor apaga o riso
E se o mal supera o bem
E se o ódio invade o pensamento
E se o amor é sufocado, não importa;
O mundo já tem o que queria:
O falso brilho da joia imprópria.

Por que não posso ser triste?
Por que não devo estar insatisfeito?
Por que tenho de seguir protocolos, fingindo que está tudo bem e sou perfeito?
Por que você não pode ser você e eu não posso ser eu com nossos dons e nossos defeitos?

Por isso gosto do conforto do asilo da minha caverna
Só lá posso ser autêntico.
Nesse exílio escuro que tenta iluminar-se com a própria luz
É aonde encontro sentido para a força que me conduz.
Pra onde vou eu não sei, mas aqui não é o meu lugar.
Uma alma precisa ter direito a autenticidade,
Precisa do direito de ir e vir
E sonhar.
Quem sabe um dia...

Enquanto isso eu lhes dou o que querem:
Risos.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Só para os íntimos





Um amor desfeito é uma esponja úmida:
Apaga a esperança
Descolore o mundo
Esconde o sol
Deixa tímido o sorriso.
Um amor desfeito apaga a vida.

Mas fica no ar  uma poeira que incomoda, como resíduos de giz, partículas vagando em vão, tremeluzindo, tentando se reconstituir para cumprir o compromisso de imprimir uma história.

As partículas que flutuam ao redor de mim, inflamando, irritando meus sentidos, nublando, anuviando-me os olhos, se juntas, têm o brilho mágico para recompor o colorido original da vida.

Mas não quero, não devo, não posso lamentar o ontem, o hoje, o que passou; esse instante, o que virá, e depois...

O agora é transição;
E nada melhor do que os fatos da vida em transição. Nada mais empolgante e atraente do que o movimento. O movimento é o que há de mais significativo nessa divina existência. Mover-se!...

Nada mais digno do que saber-se vivo _ mesmo que essa consciência se nos desperta de um amor indigno. Por isso, eu quero um amor verdadeiro.

Só mesmo o amor verdadeiro é capaz de levar o homem nas nuvens, entre as estrelas, no cimo do destino, na misteriosa escalada da vida.

Quero um amor verdadeiro.
Cansei de ser um mero doador, só eu sempre, a oferecer amor verdadeiro.
Todas as vezes que amei, ofereci amor verdadeiro;
Agora, quero um amor verdadeiro.

Existe sim, amor verdadeiro;
Todas as vezes que amei, foi amor verdadeiro.
Como será que é o amor verdadeiro?

Eu quero muito sentir o que sente aquele que recebe amor verdadeiro.
Às vezes penso, como seria bom um amor recíproco, de igual proporção, grandeza equivalente; um amor linkado direto, para download e upload, direto ao coração. Um amor assim, cliente/provedor, compartilhando intimidades. Um amor de salvação. Um assim é o que ofereço e espero na minha doce ilusão.

Isso exige responsabilidade, cuidado, porque o mundo é muito estranho.
O amor verdadeiro é algo meio complicado. É exigente. É uma mistura de não e sim na plenitude da sua liberdade de ser como é. Mas essa perfeição é nada ser além da simplicidade da sua perfeição de apenas existir. Exige exclusividade. E nessa prioridade exige-se que o seja proclamado e exaltado. Contudo exige sigilo. Que o seja compartilhado só para os íntimos. Por quê?

Ora! Por que! Os pastores são hostis e o amor é um cordeiro. O mundo adora sacrifícios. O amor é sempre ingênuo e puro _ uma bela oferenda. E eu lhes digo: Não há no mundo pessoa mais íntegra do que aquela capaz de oferecer amor verdadeiro. Ah!...



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Janela

Nenhuma borboleta, azul ou branca, diante da janela.
Nenhuma rolinha no terreiro
Nenhuma fada, nenhum duende no quintal;
Nenhum quintal.




Até os monstros desapareceram.
As sombras nas paredes são apenas sombras
O chão não mais se abre como uma bocarra gigante debaixo dos pés, querendo engolir o mundo-menino à noite;
No entanto, vivo em queda livre num breu crescente e infinito.

Às vezes quero chorar...
Na verdade, às vezes choro.
Mas o pranto não são lágrimas nem pérolas.
Ora! O pranto deve ser algo que valha um tesouro ou um mistério. 
O pranto deve ser uma transição do nada para uma esperança.
_ Eis aí o caminho do império.

Choro. Ah, choro!
Mas choro apenas para lubrificar os olhos, já que o mundo,
_ o mundo iluminado, o mundo do homem _,
O mundo é cegante, reluzente, e a vida...
A vida é cega e usa óculos escuros.

Nenhuma borboleta diante da janela
Nenhuma janela, nenhum quintal;
Mas há um pássaro que canta na gaiola
E um horizonte, distante, para o imaginário.

Lá, aonde o sol descansa, hão de ouvir-se o canto.

domingo, 7 de setembro de 2014

Crepúsculo

Toquei nas ondas e o mar ficou agitado
Inalei a brisa e ela se transformou em ventania
Contemplei o sol até que o céu escurecesse.
Nada mais que um dia, um longo dia, é a vida.

Vem a escuridão e com sorte estrelas
Vem o friúme e com sorte aurora
Madrugada, início ou fim?
Outro dia...

Especial