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domingo, 17 de janeiro de 2016

O mensageiro e a flor Salce




O mensageiro                   
Bate em minha porta delicadamente, respeitosamente
Sem receios ou expectativas
Como bom mensageiro simplesmente cumpre sua missão.
_ Eis tua encomenda! _ grita.

Tive bons pressentimentos, expectativas,
Ia quebrar a rotina.

Mas antes mesmo de abrir as portas já deleguei tarefas.
_ arrume essa bagunça!
E dei início à seleção de palavras, pois é esse o meu ofício: dar sentido à voz; só assim, às vezes escapo das garras da melancolia.

Por isso recruto palavras, as ordeno, as unifico e as espalho tal qual o vento espalha sementes aleatoriamente em um jardim.

As palavras são rebeldes e eu rude.
Eu as educo, elas me corrigem.
Assim seguimos horas a fio tecendo sentidos
E de vez em quando brotam flores da minha ilusão.

Quanto tempo elas duram?
Uma eternidade, um segundo...
O tempo de um amor.
O tempo de um amor perfeito, um verdadeiro amor... Eis o que procuro: amor!
E no amor o sentido da palavra amor.
Humanizadas, as palavras, finda a rispidez.

Ainda ontem, cedinho, dois monossílabos coloriram a primavera; ainda assim houve sensaboria pela manhã.
É que a vida exige boa harmonia, e se as cores não combinam a vida fica sem graça.

Mas surgiu luz. E o dia então se molda e se identifica pelo seu brilho cujos dedos longos tocam a natureza das existências. E naquela hora a natureza se regozijou e eu senti meu rosto como se beijado por um raio de sol.

A flor Salce surgira ainda pela manhã, logo após insípido café.
_ Prazer, Salce.

E quem diria que aquela manhã tornar-se-ia na primeira manhã de uma nova estação.

Escapou-me o primeiro nome.
Mas sentido, entretanto, não estava na palavra diferente, até então desconhecida, que traz em si humor inocente e frio. O sentido estava no brilho e nas ondas que coloria o instante. Nascera ali o dia e um novo tempo.

Eu tinha as encomendas e o mensageiro.
Além do mais eu tinha afazeres.

Eu que existia para colher poemas alheios passei então a cultivá-los.
Mas como são rebeldes as palavras! E como era rude meu coração!...

E o mensageiro entregou-me, além das encomendas para o meu ofício, recomendações:
Antes de tudo sejas prudente, tendes paciência, e separe do que receberes a emoção e a razão.

Eu, logo eu que apenas apanho palavras alheias!?
Justo eu que nunca preparei canteiros
Nunca cerquei o jardim nem conheço os limites do meu quintal, agora ter de regar flor tão rara e desconhecida!...

Tenho experiência em ser rude.
As desilusões me ensinaram coisas.
Do amor perfeito o que fica são lembranças, o mais é efêmero; é como a beleza inesquecível de uma flor que dura apenas um dia.

Mas o mensageiro do tempo, o dia, trouxera-me a nova flor: A Flor Salce.
Tênue rubor nas faces
Aveludada flor
Reluzente e gris,
Fruto de todas as estações.
O que dizer?! É meu maior encanto.
É meu amor.
É minha paixão...

Desde então eu só quero contemplá-la!
Agora tenho que zelar, cultivar sonhos e colher palavras...

Eu só queria contemplá-la,
Tocar em tuas mãos macias,
No cabelo caído sobre os ombros,
Contemplar teus olhos pacificadores e navegar...

Navegar ao som de invisíveis violinos, voz que só eu ouço.
Flutuar como espécie minúscula, de plumas leves, sobre mar tranquilo, sentindo o teu perfume e ouvindo tua voz,

Porque em ti, Luciane Salce, encontrei o sentido da palavra amor.


Especial